Reformas do Cristianismo III – Entendendo a essência de Deus!
Há alguns dias, eu acompanhava um jornal e determinado comentarista jornalístico da TV no Brasil questionava algo sobre o cristianismo que talvez ele nem sequer saiba da importância de sua colocação, pelo que talvez fosse censurado por muitos religiosos que não saberiam respondê-lo e ficariam, de certa forma, atônitos. Mas eu, pessoalmente, acredito que estas indagações são muito válidas para que possamos tentar entender e compreender, de fato, a essência do Deus em que acreditamos dentro do cristianismo.
A colocação dele girava em torno da posição de um Deus tirano e mesquinho do Antigo Testamento, apto a destruir, julgar e cobrar, segundo a sua visão, ao mesmo tempo, a figura de um Deus generoso, misericordioso e perdoador no Novo Testamento, pelo que, segundo ele, as religiões cristãs focaram nesse Deus do Antigo Testamento, o que trouxe um sufocamento e perda de tranquilidade e paz por parte dos cristãos.
Para tentar explicar essa questão, precisamos entender que o Deus do Antigo Testamento era o mesmo Deus do Novo Testamento, afinal de contas, só existe um Deus. A grande questão é que o Deus do Antigo Testamento tentava se revelar aos homens em uma comunicação vertical (de cima para baixo), pelo que realmente fora muito incompreendido por estes, porque eles achavam que suas falas sempre vinham acompanhadas da natureza da relação que eles tinham com os pais deles, assim sendo incapazes de entenderem o amor divino e a sua preocupação com o resgate da essência humana, mas sempre achando que esse Deus priorizava regras e interditos proibitórios.
Quando Deus estabelece uma lei no Sinai, apenas o estava fazendo diante da desapropriação humana, pelo que, sem isso, os mesmos iriam acabar se destruindo e levando o projeto de Deus na Terra à destruição total. Nesse sentido, enquanto Deus tentava ensiná-los sobre o retorno à essência da alma, os mesmos sempre o viam como alguém que cobrava algo relacionado ao externo, ao aparente e ao comportamental.
A destruição de cidades e lugares relatada na Bíblia ocorreu mediante uma tentativa de resgatar o projeto de humanidade, não como punição, mas como um último recurso para recuperar a sociedade humana. Percebemos que toda a maldade humana se revela diante do elevado grau de desapropriação, falta de amor humano e, portanto, acompanhado do não reconhecimento dos instintos humanos, o que torna o indivíduo inapropriado para o convívio em família e em sociedade. Quanto mais acreditavam em uma severidade divina e humana, esses homens e mulheres se tornaram carrascos de si mesmos e dos outros, com uma grande má relação com o outro e com o próprio inconsciente, tratando-se de maneira rude e só observando aquilo que julgavam serem seus defeitos de alma, mas que o Criador jamais criaria uma alma imperfeita; tudo o que Ele faz é perfeito.
Se queremos uma nação com pessoas criativas e prósperas, precisamos rever a nossa relação interior, percebermos, assim, que o projeto de Deus é perfeito, que podemos celebrar a nossa vida e a nossa essência divina que possuímos dentro de nós. Quanto maior a desapropriação, mais as pessoas tendem a se tratarem mal e somente se respeitam mediante objetos externos (dinheiro, diplomas, bens etc.), mas, ao olharmos para o Filho de Deus, percebemos que Ele não possuía esses atributos externos; ao contrário, veio de maneira simples nos entregar a mensagem de salvação.
Um abraço a todos!
JOSÉ LUIZ DE SOUSA NETO