03/05/2026.
A CEC Brasil informou, por meio de nota oficial, que encaminhou uma comunicação à Santa Sé, dirigida ao Papa, com o objetivo de propor uma reflexão sobre a compreensão teológica do mal na experiência humana.
Segundo a CEC Brasil, a iniciativa busca fomentar o diálogo entre teologia cristã e psicanálise, especialmente a partir da noção de inconsciente, desenvolvida no campo da psicologia moderna. A proposta sugere uma releitura do conceito de mal não como uma essência inerente ao ser humano, mas como expressão de conflitos psíquicos e desintegração interior.
No comunicado, a CEC Brasil afirma que o avanço dos estudos sobre a subjetividade humana pode contribuir para uma abordagem mais integrada da condição humana, sem necessariamente romper com os fundamentos da ética cristã.
Também informou que encaminhou, em anexo, obra de autoria própria denominada “O poder de virada da Cabala” , com o intuito de subsidiar eventuais estudos e aprofundamentos sobre o tema.
A seguir, a íntegra da mensagem enviada:
Mensagem encaminhada à Santa Sé
“À Sua Santidade, o Papa,
Bispo de Roma e Sumo Pontífice da Igreja Católica Apostólica Romana,
Com o devido respeito e reverência à autoridade espiritual e à tradição milenar da Igreja, venho por meio desta apresentar uma reflexão que considero relevante ao desenvolvimento da compreensão teológica acerca do mal na experiência humana.
Historicamente, a teologia cristã abordou o mal como uma realidade vinculada ao pecado, à queda e à inclinação humana para a desordem moral. Tal perspectiva foi fundamental para a construção da ética cristã e da necessidade de redenção.
Entretanto, os avanços no campo da psicanálise, especialmente a partir da descoberta do inconsciente, trouxeram novos elementos para a compreensão da interioridade humana. Observa-se que muitos comportamentos considerados ‘maus’ ou desviantes não derivam necessariamente de uma escolha consciente pelo mal, mas de conflitos internos, repressões, traumas e estruturas psíquicas não integradas.
Diante disso, propõe-se uma reflexão teológica mais profunda: até que ponto o mal pode ser compreendido não como uma essência presente no ser humano, mas como expressão de desintegração psíquica e falta de unidade interior?
Sob essa perspectiva, o processo de ‘dominar o mal’ poderia ser reinterpretado não apenas como combate externo ou repressão moral, mas como um caminho de integração interior, reconciliação psíquica e amadurecimento da consciência.
Tal abordagem não nega a necessidade de responsabilidade moral, tampouco relativiza a ética cristã, mas amplia a compreensão do ser humano, considerando sua complexidade interior. Nesse sentido, a graça, o perdão e a redenção poderiam ser vistos também como processos que restauram a unidade do sujeito consigo mesmo.
Essa reflexão dialoga com a própria tradição mística cristã, que frequentemente apontou para a necessidade de transformação interior profunda, mais do que mera conformidade externa às normas.
Diante do exposto, respeitosamente sugiro que a Igreja considere a possibilidade de aprofundar o diálogo entre teologia e psicanálise, visando uma compreensão mais integrada do ser humano e de sua relação com o mal.
Informo, por fim, que estarei encaminhando, em anexo, obra de minha autoria, na qual desenvolvo de forma mais aprofundada os fundamentos dessa reflexão, com o intuito de subsidiar eventuais estudos e contribuir para o enriquecimento desse relevante debate.
Coloco-me humildemente à disposição como alguém que busca compreender e contribuir, ainda que de forma limitada, para o enriquecimento desse tema.
Com respeito e consideração.”
JOSÉ LUIZ DE SOUSA NETO
CEC BRASIL.