Quando retornamos individualmente ao caminho da integração interior e realizamos o nosso trabalho de ajuste interior, agora, de fato, podemos formar um compromisso com o outro e, consequentemente, na sociedade onde estamos inseridos enquanto cidadãos.
Em determinado momento da história, um grande personagem chamado Napoleão Bonaparte realizou um questionamento aos seus compatriotas no sentido de os alertar sobre o que, de fato, é o Reino de Deus. Nesse sentido, ele dizia que pertencer ao Reino de Deus não é uma desculpa para que nos eximamos da responsabilidade na qual o Criador nos delegou, pelo que, ao nos colocar nessa vida sobre a Terra, desejou e confiou que poderíamos, de fato, espalhar a sua luz mediante a presença do seu Reino, que está dentro de cada um de nós. De que adiantaria pertencermos ao Reino de Deus, mas sem um compromisso consigo, com o outro e com a nação? No contexto vivido por Napoleão na França, havia assassinatos, roubos, corrupção, e o país estava entregue ao caos e à desordem, apesar de se declarar um país cristão.
O Criador nos deu a oportunidade de contribuirmos com o seu projeto através da nossa vocação. A vocação, para além de um exercício frio de aplicação de técnicas e conhecimento, traz consigo o elemento humano do amor. Em nosso projeto social, desenvolvemos duas áreas de atuação na sociedade, através da educação e da área da saúde, pelo que entendemos que um educador é aquele que estimula os seus alunos a criarem asas para voarem e imaginarem, assumirem riscos e saírem pelo mundo em uma jornada de descobertas. Infelizmente, quando professores não são educadores, acabam usando os alunos para mostrarem que sabem, tentando os persuadir para a sobrevivência, os engaiolando e tirando os motivos para viver. Da mesma forma, quando um médico não se tornou um cuidador, não possui a capacidade de acolher, orientar e acompanhar, como dizia William Osler: “O bom médico trata a doença, o grande médico trata o paciente que tem a doença”.
Nesse sentido, a nossa sociedade somente pode evidenciar o amor e retornar à integração quando passamos a exercer a nossa vocação, para além do simples exercício para a sobrevivência, e isso passa por todas as profissões. Enquanto estivermos desconectados interiormente, apenas iremos agir de maneira egoísta, sem um olhar holístico e integrado com os projetos do Criador para o ser humano. Precisamos nos responsabilizar, e isso vem a partir da nossa apropriação; a partir daí, poderemos construir uma nação que, de fato, espelhe os valores da nossa fé.
JOSÉ LUIZ DE SOUSA NETO
CEC BRASIL